C.2.1-Raízes históricas x Informações deformadas
O medo do desconhecido é natural, faz parte da eterna indagação da vida, mas, ... até quando?
O medo do desconhecido é natural, faz parte da eterna indagação da vida, mas, ... até quando?
Os nossos medos revelam os nossos limites. E cada um pode ter o seu: medo de chuva, medo de escuro, de feitiço, de assombração, medo de arriscar, medo de perder, medo de doença, medo da morte e até medo de tudo. No entanto, ninguém sofre menos porque tem medo, ao contrário, quem tem medo sofre mais. Qualquer que seja o medo!
Mas medo e preconceito fazem a diferença entre informação e desinformação. Por isso até nem é justo dizer que alguém tem culpa do medo até que se tenha a oportunidade do conhecimento.
Com referência à lepra, muita gente, apesar de viver em outro tempo, prefere se agarrar tão somente à maldição da lepra descrita na Bíblia. É verdade que começa ali o “contágio do preconceito social”, mas verifica-se, pela simples leitura, que a “lepra” bíblica, em vários textos do AT, tem sempre a conotação de “castigo divino”, diferente, portanto, da lepra (hanseníase) conhecida pela ciência.
A “lepra” da versão bíblica é tradução do termo hebráico “sara’at”, que engloba todo tipo de doença de pele e até mesmo manchas em paredes, vestes e tecidos(cf. capítulos 13 e 14 do Levítico). O texto destaca a idéia de indivíduo “impuro” que ele próprio tinha que anunciar, publicamente, e se afastar para fora do acampamento(cf.Lv 13,45-46). O ritual está prescrito na lei mosaica, a mesma lei do “olho por olho, dente por dente”(cf.Ex 21,24), aperfeiçoada pelo mandamento do amor.(cf.Mt 5,38)
Interessante notar que outros textos do NT, onde Jesus acolhe, toca e cura o leproso (cf.Mc 1,40-45) nem sempre são tão conhecidos quanto a maldição antiga em que se baseia quem não percebe a diferença no jeito de olhar e de sentir entre uma e outra coisa.
C.2.2-Preconceitos e Tabus
Em 1873, coincidentemente com o início da atividade de Padre Damião em Molokai, o cientista norueguês, Gerhard Armauer Hansen, identificou o agente etiológico da hanseníase, o bacilo “mycobacterium-lepræ”, causador da doença. Por este motivo, ficou conhecido como “bacilo de Hansen”, razão pela qual a “lepra” passa a ser chamada “Hanseníase”, terminologia científica oficial usada atualmente.
No Brasil o termo lepra e seus derivados foi abolido em 1976 e a terminologia está definida na Lei Federal Nº 9.010/95, de 29-03-1995. Mas o preconceito ainda existe e resiste.
Aliás, segundo Albert Einsten: “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.
Preconceito sempre foi e será pior do que a doença porque, além de doer muito mais, inibe a descoberta e o tratamento correto, aumentando o sofrimento e a incidência de casos.
Os pacientes em tratamento podem conviver normalmente com sua família, no trabalho, na escola, no clube, com os amigos e colegas, enfim permanecerem na sociedade sem nenhuma restrição, exercendo suas atividades normais. A doença não se transmite por meio de copos, talheres, pratos, assentos, aperto de mão, doação de sangue, aleitamento materno, herança genética.
Os doentes de hanseníase, mesmo que tenham forma contagiante (nem todas o são), passam a não oferecer risco de contágio assim que iniciam o tratamento.
Um tabu para a maioria das pessoas são as sequelas ou deformidades que, às vezes ocorrem, mesmo após a cura, por algum problema orgânico ou falha no tratamento. Tais sequelas ou deformidades criaram o estigma sobre a doença. No entanto, não oferecem risco de contágio, porque com o tratamento os bacilos estão mortos, a doença está curada.
Pensando bem, o medo de contágio das pessoas em relação à Colônia sempre esteve no endereço errado. Senão vejamos: Os internados não ficaram doentes na Colônia, foram trazidos de suas cidades, de todas as regiões do Brasil, por estarem doentes. E onde se contaminaram? Se assim era, e de fato era!, talvez fosse a Colônia, por incrível que possa parecer, o lugar mais seguro contra o contágio. Mas os tabus e preconceitos referentes à lepra, a começar por alguns médicos (infelizmente) e alguns outros profissionais da saúde, ao que parece, chocaram alguns filhotes antecipadamente vacinados contra o progresso científico, normalmente aceito em outras áreas.
O problema maior nem é tanto estar com hanseníase ou ter alguma sequela. Problema mesmo é não saber quando se tem, quem tem, onde está e como fazer o tratamento.
Mas medo e preconceito fazem a diferença entre informação e desinformação. Por isso até nem é justo dizer que alguém tem culpa do medo até que se tenha a oportunidade do conhecimento.
Com referência à lepra, muita gente, apesar de viver em outro tempo, prefere se agarrar tão somente à maldição da lepra descrita na Bíblia. É verdade que começa ali o “contágio do preconceito social”, mas verifica-se, pela simples leitura, que a “lepra” bíblica, em vários textos do AT, tem sempre a conotação de “castigo divino”, diferente, portanto, da lepra (hanseníase) conhecida pela ciência.
A “lepra” da versão bíblica é tradução do termo hebráico “sara’at”, que engloba todo tipo de doença de pele e até mesmo manchas em paredes, vestes e tecidos(cf. capítulos 13 e 14 do Levítico). O texto destaca a idéia de indivíduo “impuro” que ele próprio tinha que anunciar, publicamente, e se afastar para fora do acampamento(cf.Lv 13,45-46). O ritual está prescrito na lei mosaica, a mesma lei do “olho por olho, dente por dente”(cf.Ex 21,24), aperfeiçoada pelo mandamento do amor.(cf.Mt 5,38)
Interessante notar que outros textos do NT, onde Jesus acolhe, toca e cura o leproso (cf.Mc 1,40-45) nem sempre são tão conhecidos quanto a maldição antiga em que se baseia quem não percebe a diferença no jeito de olhar e de sentir entre uma e outra coisa.
C.2.2-Preconceitos e Tabus
Em 1873, coincidentemente com o início da atividade de Padre Damião em Molokai, o cientista norueguês, Gerhard Armauer Hansen, identificou o agente etiológico da hanseníase, o bacilo “mycobacterium-lepræ”, causador da doença. Por este motivo, ficou conhecido como “bacilo de Hansen”, razão pela qual a “lepra” passa a ser chamada “Hanseníase”, terminologia científica oficial usada atualmente.
No Brasil o termo lepra e seus derivados foi abolido em 1976 e a terminologia está definida na Lei Federal Nº 9.010/95, de 29-03-1995. Mas o preconceito ainda existe e resiste.
Aliás, segundo Albert Einsten: “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.
Preconceito sempre foi e será pior do que a doença porque, além de doer muito mais, inibe a descoberta e o tratamento correto, aumentando o sofrimento e a incidência de casos.
Os pacientes em tratamento podem conviver normalmente com sua família, no trabalho, na escola, no clube, com os amigos e colegas, enfim permanecerem na sociedade sem nenhuma restrição, exercendo suas atividades normais. A doença não se transmite por meio de copos, talheres, pratos, assentos, aperto de mão, doação de sangue, aleitamento materno, herança genética.
Os doentes de hanseníase, mesmo que tenham forma contagiante (nem todas o são), passam a não oferecer risco de contágio assim que iniciam o tratamento.
Um tabu para a maioria das pessoas são as sequelas ou deformidades que, às vezes ocorrem, mesmo após a cura, por algum problema orgânico ou falha no tratamento. Tais sequelas ou deformidades criaram o estigma sobre a doença. No entanto, não oferecem risco de contágio, porque com o tratamento os bacilos estão mortos, a doença está curada.
Pensando bem, o medo de contágio das pessoas em relação à Colônia sempre esteve no endereço errado. Senão vejamos: Os internados não ficaram doentes na Colônia, foram trazidos de suas cidades, de todas as regiões do Brasil, por estarem doentes. E onde se contaminaram? Se assim era, e de fato era!, talvez fosse a Colônia, por incrível que possa parecer, o lugar mais seguro contra o contágio. Mas os tabus e preconceitos referentes à lepra, a começar por alguns médicos (infelizmente) e alguns outros profissionais da saúde, ao que parece, chocaram alguns filhotes antecipadamente vacinados contra o progresso científico, normalmente aceito em outras áreas.
O problema maior nem é tanto estar com hanseníase ou ter alguma sequela. Problema mesmo é não saber quando se tem, quem tem, onde está e como fazer o tratamento.
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